domingo, 6 de maio de 2012

Serenidade - Alberto de Oliveira

Serenidade tão cedo, depois de alguns anos aprendendo a existir.
Sereno pela vida que só devo ao acaso.
Sereno, pois já sei sentir saudade, quando vem, se vier.
Ainda sinto intenso, aposto tudo, me lanço de encontro com o desejo e o momento, mas nada disso me mata, nada disso me explode, nada dói.
E eu quero o presente, esse presente, o presente futuro - feliz ou desgraçado - que não conheço, mas aceito.
E eu quero sempre gostar do presente passado, sem mágoa nenhuma, sem pensar que falhei. Quantas vezes falhei!
E as falhas não importam. E quantas vezes não importa.
Vivi o desespero p´ra encontrar a calmaria, não calmaria de morte, não calmaria vazia.
Olha essa calmaria, tão minha, essa da cama, tão entregue, essa dos olhos, meio triste,
não é tristeza, é um pouco de sabedoria.
Estou voando.
Às vezes quem me olha enxerga a paz desse vôo, às vezes vêem só o eu antigo, aquele que fugia, preso ao chão.
Sorrio. Era preciso e a fuga foi amiga, preciosa, guardiã.
Anjo me livrando da precipitação e do impulso.
Aguardando comigo, bem íntima, a hora propícia.
Faz dias me deixou abrir as asas e me desprender do chão.
Quem voa, voa no instante,mas carrega consigo o vôo, mesmo se pousa, mesmo quando descansa.
Carrega consigo o instante.
Quero falar do meu vôo, quero ensinar o meu vôo, quero que todos voem.
Mas o vôo é feito de silêncio e solidão. O vôo é feito de compreensão, de aceitação, de não querer morrer nem blasfemar nem ser outro. O vôo é uma espécie de recompensa, de compensação.
E a serenidade, e saber, e a calmaria, e sorrir. E ser grato. E seguir.

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